A Importância da Comunicação nas CEBs.

É fundamental que a comunicação seja considerada pelas CEBs uma dimensão presente na essência de seu projeto pastoral e não apenas um instrumento de divulgação de ações.

Comunicar é algo fundamental para que qualquer projeto tenha visibilidade, seja compreendido e abraçado pelas pessoas. E quando nos referimos a um projeto pastoral ou projeto de sociedade, isso se torna ainda mais importante. Afinal, nesses casos, nos referimos a questões amplas e complexas. Tratando-se de Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), o assunto ganha um elemento a mais, pois defende um modelo de igreja anti-hegemônico e que estimula o protagonismo popular.

Isso é revolucionário dentro da igreja. Apesar de respeitar a importância e o papel social e espiritual do clero e da instituição, joga luz sobre a ação cotidiana das leigas e leigos, revigorando um trabalho profético que tem na opção pela gente pobre e excluída sua bandeira divina.

O modelo de atuação das CEBs, cunhado por dom Pedro Casaldáliga como “o modo normal de ser igreja”, é revolucionário também fora dela. É um modelo de “igreja em saída”, aos moldes do que fazia Paulo Apóstolo e do que hoje defende o Papa Francisco, fincada na realidade concreta da sociedade e conectada com os anseios do povo.

Nesse sentido, um modelo de igreja pautado pela denúncia e pelo anúncio. Denúncia das injustiças sociais, da opressão e promoção do individualismo. Anúncio do Reino de Deus caracterizado pela união do povo em busca de direitos humanos, função social da terra, economia solidária, democratização da mídia, ecumenismo religioso e tantas outras questões que representam “o bem-viver”.

Comunicação na essência do projeto pastoral

Por isso é fundamental que a comunicação seja considerada pelas CEBs uma dimensão presente na essência de seu projeto pastoral e não apenas um instrumento de divulgação de ações.

Significa pensar a comunicação como forma de mostrar a igreja viva a partir das periferias do campo e da cidade, da autonomia das pequenas comunidades, com seus múltiplos saberes, e da reflexão crítica e misericordiosa sobre o mundo que nos envolve. E assim promover repercussões dentro e fora da igreja para termos um ambiente baseado na cultura do diálogo, na participação ativa e conectada com a realidade concreta.

Corresponde a uma “comunicação a serviço de uma autêntica cultura do encontro”, como nos pede o Papa Francisco.

Aqui no Regional Oeste 2, temos pensado nisso a partir de dois movimentos paralelos. Um deles é o desenvolvimento e potencialização de nossos meios de comunicação, como sites, blogs, redes sociais, programas em rádios e TVs alternativas, comunitárias ou educativas, jornais, informativos e revistas.

Diagnóstico e formação

Outro movimento é saber de que forma nossas comunidades concebem e lidam com a comunicação. Por meio desse diagnóstico é possível conhecer se há meios de comunicação ou espaços que podem ser utilizados, que oficinas as leigas e os leigos gostariam ou precisam etc.

A partir daí pode-se criar um processo de formação de comunicadores populares. É uma forma de iniciar uma capacitação aplicada à realidade e ao cotidiano da paróquia, comunidade, diocese. Também, de integrar e fortalecer laços entre membros das CEBs e entidades ligadas às lutas sociais. E ainda, pensar alternativas práticas com oficinas básicas em: comunicação interna, textos, vídeos e áudios, mídias de internet (facebook, twitter, rádios on line, whatsapp), mural/fanzine/panfletos, folhetos, informativos, oratória (avisos).

Entre os assuntos básicos a serem tratados estão:

– a importância da comunicação para nós;

– evangelizar é comunicar;

– o que é comunicação popular/comunicação comunitária;

– leitura crítica da mídia e alfabetização midiática;

– meios de comunicação em geral;

– democratização da mídia e panorama atual

A partir desses conteúdos mais gerais é possível adentrar na relação das CEBs quanto às questões ambiental, indígena, da terra, participação política, economia solidária, empoderamento da mulher, consumo responsável e tantas outras.

É  assim que compreendemos a comunicação como um dos alicerces de um modelo de Igreja em saída, aberta e conectada com as manifestações populares e os gritos do povo, com forte participação das leigos e leigos (Documento 105 da CNBB).

Irmãs e irmãos, sigamos na caminhada…

Amém! A xé! Awere! Aleluia!

Ana Paula Carnahiba e Gibran Luis Lachowski Jornalistas e assessores das CEBs no Regional Oeste 2.

 

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