Dom Roque Paloschi motiva Grito dos Excluídos 2017

O Grito dos/ Excluídos/as se realiza há 23 anos durante a Semana da Pátria, tendo como ponto máximo de manifestações populares o dia 7 de setembro – data em que se celebra a independência do Brasil. Neste sentido, o Grito é um momento e espaço para que o povo possa questionar que tipo de independência temos e exigir mudanças para o país.

A vigésima terceira edição do Grito  este ano tem como lema “Por direitos e democracia, a luta é todo dia!” e tema “Vida em primeiro lugar”.

Diante de tantos acontecimentos na atual política de nosso país, em carta, dom Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho destaca a necessidade de organização de rodas de conversas e participação em seminários sobre a temática do Grito deste ano

Leia na íntegra a carta:

Senhores Padres, religiosos e religiosas, agentes de pastorais, lideranças!

O Grito dos/as Excluídos/as nasceu da Campanha da Fraternidade de 1995, cujo tema era “Fraternidade e os excluídos” e que tinha por lema “Eras tu, Senhor?”.

Desde aí, a cada ano, na Semana da Pátria, por todo o Brasil, setores ligados às pastorais sociais da Igreja Católica, outras igrejas irmãs, movimentos sociais, sindicatos e várias organizações da sociedade civil organizada vem articulando e realizando o Grito dos/as Excluídos/as.

Em 2017, chegamos ao 23º Grito dos/as Excluídos/as com o tema “Vida em primeiro lugar!” e o lema “Por direitos e democracia, a luta é todo dia”.

Como dito por dom Guilherme Antônio Werlang, “vivemos tempos difíceis. Os direitos e os avanços democráticos conquistados nas últimas décadas, frutos de mobilizações e lutas, estão ameaçados. O ajuste fiscal, as reformas trabalhista e da previdência estão retirando direitos dos trabalhadores para favorecer os interesses do mercado. O próprio sistema democrático está em crise,  distante da realidade vivida pela população”.

Não podemos esquecer que, nas cidades, a cada dia cresce o número de desempregados/as e que, no campo, também cresce a violência contra camponeses/as que lutam por reforma agrária, bem como contra os povos indígenas que buscam a demarcação de seus territórios.

O Grito dos/as Excluídos/as não deve se limitar ao ato público no dia 7 de setembro. Deve ser um momento de diálogo e reflexão sobre as várias faces da exclusão na nossa sociedade. Para tanto, devemos realizar, no seio da Igreja e nos mais variados espaços da sociedade, atividades (rodas de conversas, palestras, seminários) para promover esse diálogo e reflexão em torno dos eixos temáticos propostos pelo Grito.

Por isso, solicito a todos/as os/as irmãos/ãs, de dentro e de fora da Igreja, o efetivo apoio ao Grito dos/as Excluídos/as 2017.

Tenhamos em vista a Encíclica Pacem in Terris, do Papa João XXIII: “Pois, quando numa pessoa surge a consciência dos próprios direitos, nela nascerá forçosamente a consciência do dever: no titular dos direitos, o dever de reclamar esses direitos, como expressão de sua dignidade, nos demais, o dever de reconhecer e respeitar tais direitos” (PT, 44).

Dom Roque Paloschi Arcebispo de Porto Velho

 via: arquidiocesedeportovelho.org.br

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