Podres poderes na Igreja e na Política. Encontro das CEBs – Setor Passos – Diocese de Guaxupé

 O mais importante é que seguimos resistindo, entre poesias e profecias, na teimosa esperança pascal que nos põe em movimento.

Arte-vida de Cerezo Barredo

Em preparação ao 35º Encontro Diocesano de CEBs (em abril de 2018), acontecerá, no dia 20 de agosto, das 7h às 16h, no salão paroquial da Igreja N. Sra. Aparecida, em Passos (MG), o Encontro Setorial das CEBs.

Em unidade com as CEBs do Brasil que prepara o 14º Intereclesial que tem  como tema: CEBs e os desafios no mundo urbano e lema: “Eu vi e ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo”, nos preparamos também para enfrentarmos o desafio de ser uma Igreja profética e a serviço.

Pensando no desafio  da participação política dos cristãos e da fé como espaço privilegiado da prática da fé e levando em conta a crise na qual estamos mergulhados e o verdadeiro massacre sofrido pela classe trabalhadora brasileira, a música de Caetano Veloso, Podres Poderes, foi lembrada e sugerida como tema e como lema as palavras de Jesus encontradas nos quatro evangelhos: “Entre vocês não deve ser assim”.

            Diante de tempos tão difíceis, somos tentados a encarar a realidade como uma fatalidade desaguada sobre nós. Mas o modo como lidamos com essa situação – tão complexa e complicada – deve ser diferente. Temos de oferecer, na condição de cristãos e cristãs, uma resposta. É preciso que a gente assuma a nossa missão de profetas e profetisas, anunciando a Boa Notícia, o Reino e denunciando a Má e tudo o que contraria o projeto de Deus.

           

O poder e o dinheiro governam a grande farsa que vivemos na política e na Igreja. Sim, na Igreja! Em nossa história, testemunhamos, em diferentes épocas, um verdadeiro casamento entre a Igreja e o poder vigente. Na Cristandade, nos convertemos ao Império Romano (e aos seus privilégios, pompas e honrarias). Nos séculos XVI, XVII, éramos sucedâneos dos Impérios Ibéricos. Legitimamos a escravidão (hecatombe) de negros e o genocídio de populações indígenas, que tiveram de viver sob a sombra de uma cruz fincada nestas terras tropicais. Vimos (em nosso passado recente) a Igreja se transformar num verdadeiro asilo preponderantemente de direita. Ainda hoje, estamos a reproduzir a lógica do capital-mercado, do acúmulo, da concentração e centralização de riquezas, da opção por uma estrutura de Igreja monárquica, absolutista, auto referencial, clericalista, vertical, triunfalista, que desconhece participação e democracia e é avessa ao povo mais simples.

            Por isso, com o Papa Francisco, seguindo os passos descalços de Jesus de Nazaré, queremos que as nossas comunidades sejam um grito (eloquente) contra este sistema perverso, sejam ambientes de formação crítica,  de uma experiência autêntica de uma fé que nos engaja na luta pelos mais débeis, pobres e marginalizados. Estamos convencidos do conflituoso momento que enfrentamos. Estamos igualmente certos que a superação passa, necessariamente, pelo fortalecimento dos movimentos sociais, dos grupos de libertação, dos sindicatos que estão comprometidos com a Vida e com o Bem-Viver. O mais importante é que seguimos resistindo, entre poesias e profecias, na teimosa esperança pascal que nos põe em movimento.

Por Denis Wilson – CEBs Passos Regional Leste II

Imagens: Arquivos web enviados por Denis Wilson

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