Segunda Romaria do Padre Ezequiel Ramin

 “Para se interessar do povo, dos seus problemas, precisa um grande amor, que possa te dar a força de não cansar nunca” Padre Ezequiel Ramin . 

No último domingo  foi realizada a 2ª Romaria do   Padre Ezequiel , em memória do seu martírio, no município de Rondolândia, MT, onde   foi assassinado no dia 24 de julho, de 1985.

A celebração inciou-se no sábado a noite, na igreja matriz de Cacoal, Sagrada Família, houve apresentações artísticas de jovens de Cacoal e Porto Velho, antes da celebração Eucarística presidida pelo Arcebispo de Porto Velho, Dom Roque e concelebrada pelos padres de Cacoal e vários combonianos, entre os quais o superior provincial, Padre Dario Bossi e Pe  Tesfaye Tadesse,   superior geral.

No domingo, no município de Rondolândia, MT, onde o padre Ezequiel foi assassinado, houve a romaria, saindo da comunidade Padre Ezequiel Ramin e indo até a capelinha que foi construída em memória do martírio

Houve caravanas de romeiros de várias paróquias da diocese de Ji Paraná e representantes da igreja de Porto Velho. Na chegada, foi celebrada a missa no bosque ao lado da capela, terreno doado à paroquia Nossa Senhora Auxiliadora-Rondolândia.   A missa foi celebrada pelo Padre Dario Bossi, que além de provincial dos combonianos faz parte da Repam – Rede Eclesial Pan-Amazônica.

Esta segunda romaria acontece logo após o encerramento do processo diocesano para o reconhecimento do martírio do padre Ezequiel Ramin. Atualmente o processo está tramitando em Roma a fim de que padre Ezequiel seja reconhecido mártir pela igreja oficial. Como destacou o padre Dário na homilia, a figura do padre Ezequiel e a sua luta em defesa da justiça nos diz muito ainda hoje, neste contexto politico de retirada de direitos, de avanço do agronegócio, e nos chama a reafirmar o compromisso em favor dos pequenos.           

Fazendo uma ligação com o evangelho da liturgia do dia ( parábola do joio e do trigo), padre Ezequiel nos mostra que como cristãos não podemos fugir as situações de conflito, mas devemos aprender a estar dentro delas como ele, com uma pratica de não violência e amando o inimigo.

Colaboração de Irmã Chiara ( texto) Fotos Ir Beth via CEBs do Brasil

 

 

Pe. EZEQUIEL RAMIN – Mártir da Terra
CACOAL-RO * 24/07/1985 – Memória dos 32 anos de seu martírio

Ezequiel Ramin, jovem missionário comboniano, veio da Itália para Rondônia, na diocese de Ji-Paraná, onde se entregou generosamente ao serviço e à defesa dos indígenas e dos sem terra.

Vibrava pelas causas da justiça e libertação.

Ameaçado, não desistiu em sua pastoral vinculada ao CIMI e a CPT. Morreu na estrada, crivado de balas pelo latifúndio. E em sua homenagem, foi composto nosso popular canto “Pai Nosso dos Mártires”.

 Abaixo algumas frases dita por Ezequiel Ramin:

– Amo todos vocês e amo a justiça… Não aprovamos a injustiça, embora recebemos violência. O padre que vos está falando recebeu ameaças de morte. Queridos irmãos, se minha vida lhes pertence, também minha morte lhes pertencerá.

– Existem, hoje, marginalizados e esquecidos, nas penitenciarias, nos hospitais, asilos, reformatórios, barracos, nas calçadas e debaixo dos viadutos das grandes cidades. São os excluídos da vida. Como se pode ficar indiferente diante de tamanha dor do ser humano? Se Cristo quer servir de mim, não posso recusar.

– Muitas vezes, sinto um nó na garganta e uma grande vontade de chorar, ao ver tantos quilômetros de cerca.

– A morte é uma vitória com aparência de derrota.

– Sinto-me em sintonia com o mundo latino-americano, com suas angustias e com suas grandes esperanças.

– Trabalhar com os pobres é criar primaveras depois do inverno.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada via CEBs do Brasil

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