Trajetória comemora um ano de Comunidade nas casas

Do anseio de seis pessoas de um bairro periférico de Cuiabá (MT) com fraca presença da igreja católica ao aniversário de um ano de caminhada da Comunidade Eclesial de Base Santo Inácio de Loyola. Essa frase se refere à trajetória de mulheres, homens, jovens e crianças que hoje se reúnem em torno da CEB do Residencial Pádova, na capital do estado. A comemoração ocorreu na semana passada, durante cinco dias, com missa doméstica, reflexão, encontro e vivência.

A missa aconteceu no sábado (29 de julho) e reuniu cerca de 70 pessoas na casa de dona Benedita. Houve jantar comunitário, tendo no cardápio uma comida típica cuiabana chamada Maria-Izabel, (arroz, carne seca, feijão e farofa de banana). Depois ocorreu uma roda de violão e sanfona, com Padre Deusdédit na animação. Durante a semana várias pessoas se encontraram para refletir sobre a vida de Inácio e, a partir disso, pensar como ser Comunidade-Igreja no mundo urbano contemporâneo. Com Santo Inácio, estão aprendendo a fazer a “leitura orante da realidade”, a “experiência” do Deus agindo na história.

O espírito de solidariedade tomou conta da animadora Josi. “Fazer parte de uma comunidade é sentir o coração arder e sentir que se está fazendo um pouco a nossa parte pelo Reino que Jesus nos deixou. Santo Inácio me cativou a cada encontro, e tudo que quero é ser uma comunidade sempre acolhedora”.

Esse sentimento comunitário se liga ao crescimento espiritual, como se viu no exemplo da animadora Aurenir. “Quando comecei a participar me sentia leiga em tudo, pois nunca tinha participado de uma comunidade. Só ia assistir à missa aos domingos. Às vezes ficava me questionando por que eles sempre repetiam as leituras, todo ano a mesma coisa! Participando da comunidade e das formações pude compreender melhor essa questão”.

A experiência de participar de uma CEB, com 90% de mulheres, mexeu com várias pessoas, entre elas a animadora Vanda. “Para mim, é uma experiência nova evangelizar de casa em casa. Cada encontro é uma aprendizagem. Nessa pequena comunidade conseguimos sentir o calor, carinho e o aconchego de cada um/uma. Muitos nos julgam. Dizem que aqui não precisa de comunidade. Mas essas palavras não desanimam o grupo”.

Trajetória

O primeiro ato da CEB foi em 2015, com a criação de um grupo de reflexão. As pessoas passaram a se reunir uma vez por semana sempre na casa de um morador/uma moradora. O tema da Campanha da Fraternidade (“Igreja e Sociedade: Eu vim para servir”) animou os encontros.

Em 2016, o grupo avançou para estudar a identidade das CEBs, o papel do laicato na Igreja e na sociedade e realizar ações como Natal em família e via-sacra ecumênica. Em diálogo com o pároco, ficou decidida a realização de uma missa mensal, na casa de uma pessoa do bairro ou região, inspirando-se na experiência das primeiras comunidades. O lugar onde nascia e se desenvolvia a comunidade era a CASA (At 9, 2; 18, 25.26; 19, 9.19, 23). No Residencial Pádova, a casa de Maria, Deva, Dulce, Geovana, Luciana, Elenice, Helena….

Em meados de 2016, após avaliação de várias sugestões para inspirar a caminhada, o grupo decidiu por nomear a comunidade e assim nasceu a Santo Inácio de Loyola. O próximo passou foi fazer um mutirão de visitas aos moradores do residencial (230 casas). Muita gente veio; parte desistiu e parte permanece.

Para 2017, a comunidade prioriza a acolhida das pessoas e a formação sobre o que é comunidade, o serviço necessário para dinamizar a vida comunitária, liturgia, espiritualidade inaciana etc. A formação e o encontro do grupo de reflexão acontece às terças-feiras à noite. A comunidade tem uma coordenação colegiada com participação em conselho paroquial e demais instâncias pastorais.

Testemunhos vivos

“Eu me sinto muito feliz de fazer parte da comunidade, pois a cada encontro fazemos novas experiências de entrega a Deus, que vão me envolvendo. Sinto uma grande satisfação de conviver em comunidade que representa a família de Deus”. (Adevair, animadora da comunidade).

“É uma satisfação muito grande fazer parte de uma comunidade onde sou bem recebida. Comunidade que começou simples, humilde, todos tímidos. Mas que foi crescendo. Hoje somos uma comunidade bem envolvente, graças a Deus. Cada um com seus [dons]. Sinto-me muito feliz por fazer parte dessa comunidade”. (Maria Costa, animadora da comunidade).

“É difícil falar, mas Deus nos coloca nos melhores lugares. Às vezes, nos desertos das nossas vidas temos sede de Deus! Esquecemos de prestar atenção no chamado de Deus. Santo Inácio nos convida a entrar num processo de conversão, para amar e servir”. (Luciana, animadora da comunidade).

Por Roberto Rossi, Maria Rossi e Equipe de Comunicação do RO2

 

 

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