Na escuridão, um facho

Queremos nos contrapor aos que dizem: “as CEBs morreram”, já que não dizem quem as matou e nem o porquê.

“Vocês são a luz do mundo… Não se pode esconder uma cidade construída sobre o monte” (Mt 5,13-14). A obra ”CEBs, um facho iluminando a história” é, para as CEBs de Quitaiús (diocese de Crato-Ceará)  o cumprimento de um dever de muito tempo. Queremos nos contrapor aos que dizem: “as CEBs morreram”, já que não dizem quem as matou e nem o porquê.

Sabemos muito bem que escrever um livro não é fácil para comunidades pobres, pouco letradas. Nem também fazer uma publicação: que editoras se interessam por coisa desse tipo, algo “fora de moda”, “algo não comercial”…? Topamos o desafio de, com as CEBs de Quitaiús, levar adiante essa empreitada, mesmo sabendo que terá um alcance limitado.

A obra é fruto de um grande mutirão. O processo envolveu muita gente, por mais de dois anos, começando com encontros que visavam aguçar a memória e ver os passos a serem dados, envolvendo as principais protagonistas, as CEBs. O pão que chega às nossas mesas é resultante do empenho de quem esteve desde o preparo do terreno até o momento de servi-lo, já assado. Todos/as estivemos ligados à caminhada de Quitaíús, direta ou indiretamente.

Tivemos a preocupação de escutar o que significou (e significa) tal vivência para as pessoas envolvidas; de contar com pessoas que pudessem analisar as entrevistas, os dados. E mais: procuramos ver que lições podemos tirar para os dias de hoje, para as CEBs do campo e da cidade. Essa caminhada nos mostrou que os pobres sabem o que querem, são capazes, têm força quando unidos em torno de um projeto que é seu. Desde que possam dizer sua palavra, assumir seu caminho e sua organização. Desde que as pessoas que chegam de fora os tratem com respeito e queiram tornar-se companheiros/as, estejam afinadas com o Deus dos pobres e com os pobres de Deus.

Queremos, afinal, que essa obra ajude às CEBs, a quem as acompanha e a todas as pessoas de boa vontade a repensar o jeito de ser Igreja, num mundo urbanizado, onde os empobrecidos têm menos lugar, pois deles roubaram não só a terra, os meios para viver, os direitos fundamentais, mas também a sua cultura, os laços familiares e comunitários, a própria alma. Eles foram capazes de resistir à colonização, a superar a romanização de outrora, serão capazes, também, de recriar a vida e a comunidade num mundo controlado pelo deus-mercado.

Manoel Beserra Machado

Paróquia São Vicente de Paulo,Ararendá-Diocese de Crateús-Ce.

 

  CEBs  Um facho iluminando a história:

Contatos:

Pe Manoel Machado- manoelbeserramachado@gmail.com

Océlio Teixeira de Souza – otssouza@hotmail.com

Simone Machado- 0558899625701 (Watsap)

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