Escola das CEBs na Arquidiocese de Curitiba. Chegou o tempo da espera é a primavera quem diz 

  “Não nos conformemos com os esquemas deste mundo, mas…” (Rm 12, 1-2)


Este conselho do Apóstolo Paulo na Carta aos Romanos (Rm 12, 1-2), além de atual, é uma excelente referência para as CEBs neste momento exigente e cheio de desafios para toda a Igreja. Inclusive ele retrata bem o espírito da primeira etapa de estudos da escola das CEBs na Arquidiocese de Curitiba. Aconteceu neste sábado, dia 30 de Setembro de 2017, no Salão Nobre da Cúria Metropolitana, com o tema: “Raízes Históricas das CEBs – Igreja Comunidade de Comunidades -, e teve a assessoria do Diácono Antonio Carlos Bez e sua esposa Salete Bagolin Bez, representante das CEBs no Regional Sul2. Este é um sonho já sonhado em mutirão e há muito tempo e que agora tornou-se realidade. São os primeiros frutos da primavera que chega e nos traz também a tão esperada chuva.

A proposta foi elaborada por Risoleta Boscardin e Antonio Bez, e discutida e aprovada pelo coletivo nos últimos dois Grupos de Reflexão da Arquidiocese – GRA.  Serão seis etapas, cujas datas e temas e assessores/as, são os seguintes,

Tema Assessoria Data
Raízes históricas das CEBs Igreja Comunidade de Comunidades Antonio Carlos Bez e Salete Bagolin BEZ 30/09/2017
Como era a realidade na época de Jesus, como está a realidade em nossos dias. André Langer e Rodrigo Andrade 21/10/2017
Como ser CEBs hoje – Organização das CEBs no Brasil Jardel Neves Cláudio Paulo Hernandes 25/11/2017

APROFUNDAMENTO BÍBLICO

Caminhada do Povo de Deus no Êxodo – Terra Prometida Risoleta Boscardin e João Santiago 03/03/2018
Jesus nos fala nos evangelhos – Experiência no encontro com Jesus de Nazaré Frei Claudemir e Irmã Vilma 07/04/2018
Cartas de Paulo, formador de comunidades – Leitura Orante da Bíblia João Santiago e

Dom José Antonio Peruzzo

05/05/2018

O curso é uma oportunidade para que todos e todas contribuam e participem deste momento de formação dentro de uma proposta metodológica fraterna e de partilha dos conhecimentos e das experiências vividas. Porém, de forma muito especial, ele se dirige aos delegados e as delegadas que irão participar do 14º Intereclesial das CEBs em Londrina entre os dias 23 e 27 de Janeiro de 2018. Esta primeira etapa foi muito boa e cheia de aprendizados. Vem fortalecer o espirito de partilha e de comunhão das CEBs, inclusive, como o curso acontece das 09:00 às 16:00, nós fizemos a partilha dos alimentos deixando tudo em comum. Foi uma riqueza de sabores e saberes. Este curso também contribui com a reaproximação entre as CEBs e CEBI, pois tem uma forte presença dos membros do CEBI de Curitiba, sobretudo, dos que fazem o estudo bíblico que acontece na sede do CEBI na Catedral Anglicana. Esta reaproximação é um desejo de todos nos últimos anos e que tanto o curso como o Intereclesial estão contribuindo para que se realize. ]

O CEBI de Curitiba está se reestruturando e assumindo a sua vocação de promover o Estudo e a Leitura Popular da Bíblia e as CEBs se conscientizando da importância de estudar a Palavra de Deus. Expectativas dos participantes com relação ao curso  É significativa a manifestação dos participantes quanto as expectativas que têm com relação ao curso. Primeiro, todos/as dizem ser uma necessidade, uma urgência e mesmo uma prioridade. É necessário retomar o estudo da Palavra, assim como a partir dela entender a realidade hoje tão adversa aos interesses dos trabalhadores/as e especialmente dos mais pobres.

Temos a expectativa de fortalecer as convicções de uma Igreja missionária, samaritana e itinerante, mais livre para servir. Menos clericalizada; resgatar a alegria de ser Igreja e de servir; enfrentar como Igreja os desafios de um mundo moderno e ficar sempre firme, organizados como comunidade; aprender sempre mais com os mais experientes e poder participar com consciência do 14º Intereclesial; conhecer a histórias das CEBs, saber quem são seus profetas e suas profetizas, os mártires e assim ser Igreja libertadora; conhecer melhor a Palavra de Deus e assim saber como praticá-la; conhecer a história das CEBs e fazer acontecer o Concílio Vaticano II.

As CEBs vivem um momento de grandes desafios. Não que já não tenha vivido outros momentos assim, mas este, especialmente, pede uma Igreja capaz de correr os riscos que a profecia exige. Conhecer e viver as exigências do batismo. Especialmente a questão do protagonismo leigo se faz necessária e urgente, e quem mais precisa dele é a própria Igreja. O Papa Francisco é um poço de esperança e alegria e nos faz lembrar o quanto este precisa da Igreja para se converter. E somente uma Igreja convertida poderá converter o mundo. O clero com suas virtudes e com suas limitações, precisa de leigos capazes de dialogar, de questionar e consciente de seu papel.

É mais útil e benéfico uma crítica fraterna e que aponte para novas perspectivas de autonomia e liberdade. Por exemplo, é mais interessante uma relação de irmandade do que os endeusamentos que legitimam uma paternidade autoritária. Na verdade, é um paternalismo cruel. As CEBs têm sim o compromisso e o dever de contribuir com a superação da triste situação denunciada pelo Papa Francisco, na homilia feita na JMJ no Rio de Janeiro em 2013, e que a CNBB, reproduziu no Documento 100, “O pároco clericaliza, o leigo lhe pede, por favor, que o clericalize, porque, no fundo, lhe resulta mais cômodo. O fenômeno do clericalismo explica, em grande parte, a falta de maturidade cristã em parte do laicato da América Latina” (Nº 213). Esta situação faz com que a Igreja seja, na verdade do Padre, e os leigos exerçam um serviço “terceirizado”.

  Não nos conformemos, portanto, com os esquemas deste mundo. Transformar o próprio modo de pensar, para distinguir o que é bom, agradável e perfeito (ver Rm 12, 1-8), é uma tarefa urgente para os leigos e para toda a Igreja. Essa é além de uma necessidade para Igreja, é uma condição para que cada um exerça o dom que lhe foi dado. A relação verticalizada, autoritária e, por isso mesmo, opressora, ainda predominante na Igreja, espera que os leigos, assumindo com coragem o seu batismo, ajudem a Igreja a superá-la. Libertando-se e assim libertando a própria Igreja daquilo que a distancia da prática de Jesus de Nazaré. Ousadia, fraternidade e a humildade verdadeira nos ajudarão nesta missão. A conversão pastoral proposta pela CNBB no Documento 107, exige de nós uma nova mentalidade, sem a qual, apenas faremos as mesmas coisas de forma diferente. “(…)

A exemplo do que aconteceu no encontro entre Jesus e a samaritana, possibilitem um itinerário que facilite a conversão. E isto sinaliza a necessidade da conversão pastoral. É preciso estar em constante movimento de saída, de gestação permanente, sem nos apegarmos a um modelo único e uniforme” (Nº 55).

A experiência que nos ensina muito é o diaconato, que com a mentalidade e a formação clerical aderiu com forte vigor ao modelo único e uniforme, tornando em muitos casos, uma espécie de classe média do clero. Sabemos o que dizem as sábias palavras do mestre Paulo Freire em sua pedagogia do oprimido, “O “medo da liberdade”, de que se fazem objeto os oprimidos, medo da liberdade que tanto pode conduzi-los a pretender ser opressores também, quanto pode mantê-los atados ao status de oprimidos, e outro aspecto que merece igualmente nossa reflexão” (Freire, 2004, p 36).

O curso das CEBs nos desperta para muitas situações, inclusive aquelas que a própria Igreja vem tentando nos chamar a atenção. Como dizia São Gregório Magno, “Quem não arde, não inflama”.

A nova mentalidade de que fala a CNBB, bem como este pensamento vivo de São Gregório Magno, nos convida a fazer uma Leitura Orante do encontro do casal de Emaús com Jesus de Nazaré (Lc 24, 13-35). Não basta arder o coração, é preciso abrir os olhos para a realidade e abrir os olhos da alma e do coração para entender o que Deus quer de nós. Para assim saber qual é a sua vontade e se preciso for recomeçar tudo.

Curitiba, 03 de Outubro de 2017 – Terça Feira.

João Santiago.Teólogo, Poeta e Militante.

É mestre em teologia e Especialista em assessoria bíblica.

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