Assembleia do CNLB de Mato Grosso: É preciso responder aos apelos do Evangelho

Não basta que as leigas os leigos sejam mais do que 99% de toda a igreja católica; é preciso responder aos apelos do Evangelho. Assim como a missão não se restringe ao campo da igreja, mas deve se estender ao mundo como um todo. A partir dessa compreensão é que a Assembleia do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) do Regional Oeste II se reuniu neste fim de semana em Cuiabá, no Centro Nova Evangelização.

A reunião contou com representantes das dioceses de Cuiabá, Diamantino, Sinop, Rondonópolis-Guiratinga, Primavera do Leste-Paranatinga e Barra do Garças e da prelazia de São Félix do Araguaia

 

A Assembleia é dirigida a membros da CNLB Diocesanos, Coordenadores Regionais da Pastoral Familiar, Pastorais Sociais, Pastoral da Juventude, Pastoral da Criança, Movimento Familiar Cristão, OVISA, COMIDI, Infância e Adolescência Missionária, Movimento de Cursilho, Renovação Carismática, ECC, CEBs. Além destes, foram feitos convites a membros da Comissão Regional de Presbíteros, CRB, CIMI, SEDAC, CPT e CEBI.

Na pauta, a organização do Ano do Laicato, que se inicia em 26 de novembro com a solenidade de Cristo Rei nas dioceses e paróquias e vai até novembro de 2018. O assunto também terá destaque no 14º Intereclesial das CEBs, entre 23 e 27 de janeiro em Londrina (PR).

Participantes das Comunidades Eclesiais de Base estiveram presentes na assembleia do CNLB, colocando em prática seu plano de ação em Mato Grosso para o ano que vem, que prioriza a formação do laicato.

Entre as atividades regionais definidas estão o estudo dos subsídios da CNBB, visitas e formação junto a paróquias e famílias, fortalecimento de Conselhos de Leigos nas dioceses e criação onde não existe. Também, manutenção da proximidade com o CNLB, articulações com pastorais, CEBs e Missões Populares. Ainda, produção de materiais próprios e busca de apoio dos meios de comunicação comunitários. E por fim, a escolha de Barra do Garças para sediar o Encontro Regional de Leigas e Leigos nos dias 14 e 15 de julho.

 

AÇÕES NACIONAIS

A assessoria da assembleia foi feita pela presidenta nacional do CNLB, Marilza José Lopes Schuina, 52 anos. Ela chamou a atenção para duas ações que vão ocorrer em todo o território brasileiro. Uma é a Semana Missionária, que será em julho, com ações nas igrejas locais e meta de constituir círculos bíblicos nas ruas e ambientes de trabalho. E a outra é a realização de seminários temáticos sobre o laicato e o papa, o diálogo de Francisco com os movimentos populares, a presença das leigas e dos leigos na política, cultura, educação, juventude, comunicação, entre outros assuntos.

“A espiritualidade da igreja é de base, e isto está presente na história do povo de Israel, nas primeiras comunidades cristãs, na tradição bíblica. Isso é que deve motivar a caminhada das leigas e dos leigos. E precisamos lutar para que as estruturas e a hierarquia da igreja se convertam em autoridade a serviço do povo que está nas periferias físicas e existenciais das cidades”, disse Marilza. Ela ponderou que experiências eclesiais como as CEBs, baseadas numa espiritualidade “pé no chão”, foram afetadas pelos papados de João Paulo II e principalmente de Bento XVI, mas que com Francisco o tradicionalismo e o foco na doutrina estão sendo enfrentados.

LAICATO NA SOCIEDADE

Para a representante da coordenação regional das CEBs na assembleia, Andiaria Telma Lopes, 54 anos, o Ano do Laicato vai solidificar uma reflexão que há anos está sendo feita pelas comunidades e terá forte impacto na política do país. “2018 vai ser um ano emblemático, pois teremos nas eleições uma forma de acertar as contas com o golpe de 2016, que tirou a presidenta Dilma do poder. E a igreja tem que se posicionar, não pode ficar quieta como fez em grande parte com o golpe de 1964”, comentou Andiaria, que é secretária das CEBs da Diocese de Sinop.

Há muitos sinais de que 2018 vai mostrar a imensa amplitude do laicato. A começar pelo tema da campanha, “Cristãos leigos e leigas, sujeitos da ‘Igreja em saída’, a serviço do Reino”. E a continuar pelos legados que se espera deixar para a sociedade e em âmbito eclesial. No primeiro caso, os objetivos são investir na democracia participativa, com o acompanhamento junto aos políticos, plebiscitos e leis de iniciativa popular, além da mobilização em defesa da Auditoria da Dívida Pública, que consome grande parte do orçamento brasileiro. No ambiente eclesial, as ideias são fortalecer a formação de ministérios leigos de coordenação e animação de comunidades, bem como conselhos Regionais e Diocesanos.

Porque a missão do povo de Deus está em ouvir os clamores do mundo, sendo sal, fermento e luz na caminhada, comentou o vice-presidente do CNLB Regional, Luciano Nezzi, 32 anos. Para ele, que atua na Diocese de Sinop, o Ano do Laicato vai estimular a formação da vocação, identidade e missão das leigas e dos leigos. “Daí não teremos só seguidores de ordens, mas sim pessoas corresponsáveis pela construção do Reino de Deus”, completou.

Ao final da assembleia foi lida e aprovada por unanimidade uma carta em que os leigos e leigas afirmam seu papel ativo na missão e questionam o centralismo e o retrocesso tradicionalista do clero.

Gibran Luis Lachowski e Ana Paula Carnahiba, assessores do RO2

Acompanhe a galeria de fotos e mais abaixo a carta na íntegra

 

Mensagem do Laicato à Igreja:

Corresponsável na missão, laicato em Mato Grosso quer ser ouvido pelo clero

 

2 Comentário

  • MARIA ROSSI

    Lindissima mensagem do laicato.
    Parabéns aos leigos / leigas que estiveram presente na assembleia e deram seu grito para que todos possam ouvir. Pois somos cristões leigos/as comprometidos com o evangelho de Jesus Cristo.
    Vivenciamos o nosso batismo no dia a dia da nossa vida, nos doado gratuitame te.
    Estamos presente nas nossas comunidades, nas pereferias junto aos mais pobres e excluidos/as. Somos mulheres e homens lutamdo pela trasnformação da nossa sociedade.
    Temos a plena conciência do nosso papel na igreja e na sociedade.

  • Juvenal Paiva da Silva

    Somos inundados pelo Espírito Santo no momento do nosso Batismo, portanto não podemos nos contentar somente em ser coadjuvante da fé e da missão, devemos e seremos sujeitos e protagonistas eclesiais, cada um na sua função e especificidade pastoral.

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