Uma profecia de Natal: o 14o Intereclesial de CEBs. Marcelo Barros

 

Já se aproxima o tão esperado e desejado 14o Encontro intereclesial de Cebs.  O tempo de gravidez dessa celebração da vida, verdadeiro Advento novo para as Cebs está se concluindo. Com a graça divina e sob a força do Espírito Santo, o 14o Intereclesial será como um novo presépio de Belém no qual Jesus manifesta humano e irmão de toda a pessoa que, em meio ao sofrimento luta por sua libertação.

 A festa de Natal não é uma repetição da história de Belém. Cada ano, em dezembro, os cristãos fazem memória do nascimento de Jesus para proclamar que Deus se manifesta na realidade humana. O amor divino mostrou-se vivo entre nós através de Jesus de Nazaré. Essa presença se atualiza cada vez que nos encontramos como irmãos e irmãs para testemunhar o amor divino pela humanidade, pela Terra agredida e ferida pela ganância humana e mesmo por todo o universo que nos cerca.

Tradicionalmente, o tempo do Natal se abre no 25 de dezembro e se conclui com o que o povo simples chama de “festa dos reis magos” no dia 06 de janeiro. Uma festa celebra o nascimento e outra, a manifestação de Jesus ao mundo como Salvador. A cada ano, para celebrar de forma renovada essas festas, as Igrejas (Católica, Luterana e Anglicana) dedicam todo o mês de dezembro ao que se chama “tempo do Advento”, quatro semanas dedicadas a reavivar em nós e no mundo a esperança e a alegria de crermos: esse mundo tem salvação e ela vem do meio dos pobres. O Natal de Jesus significa isso. Essa é a mensagem que precisa ser transmitida. Não a de uma paz baseada no consumo, nem na prosperidade capitalista que o mercado apregoa. A salvação se manifesta em meio ao povo excluído. Ali, por mais que a realidade social e política do mundo esteja dura e cruel, o amor e a bondade triunfarão. Por mais que a riqueza esteja concentrada e o egoísmo do mundo pareça incontrolável, a maioria das pessoas humanas são boas e respondem Sim à solidariedade e à vocação de sermos todos irmãos e irmãs na caminhada comum.

Na maioria das casas cristãs, as pessoas têm costume de armar um presépio e colocar a imagem do menino Jesus. No entanto, assim como o crucifixo que ornamenta as paredes, o presépio armado na sala não pode ser apenas um enfeite piedoso a mais. Não é apenas um costume tradicional. Os antigos pastores da Igreja ensinavam que a cruz de Jesus foi feita com a mesma madeira do presépio de Belém. Era o modo deles afirmarem que, ao deitar na manjedoura, Jesus já estava assumindo sua condição de pobre, marginal e condenado pelo poder do mundo. Cada presépio, armado em nossas casas, é um sinal da solidariedade de Deus conosco. É um modo de dizer a toda pessoa injustamente marginalizada: Deus está do seu lado e vem lutar junto com você por sua libertação. Cada um/uma de nós tem em sua vida pessoal aspectos que parecem menos nobres e apresentáveis. Esse lado da nossa vida pode tornar-se como uma manjedoura, na qual a presença divina vem se manifestar solidária e amorosa. Hoje, Jesus repousa nas palhas de nossa vida para nos conduzir a uma mudança de vida e à transformação do mundo. Esse é o caminho novo do Natal.

Conforme o evangelho, foi através de uma estrela que brilhou no Oriente, que os magos, sacerdotes de cultos da natureza, viram o sinal da criança nascida em Belém. Agora, as comunidades eclesiais de base de todo o Brasil e as Igrejas que se inserem junto conosco veem surgir não mais no céu e sim em Londrina, uma nova estrela de Belém a iluminar nossa caminhada. Já se aproxima o tão esperado e desejado 14o Encontro intereclesial de Cebs. Londrina o sediará de 23 a 28 de janeiro de 2018. O tempo de gravidez dessa celebração da vida, verdadeiro Advento novo para as Cebs está se concluindo. Com a graça divina e sob a força do Espírito Santo, o 14o Intereclesial será como um novo presépio de Belém no qual Jesus manifesta humano e irmão de toda a pessoa que, em meio ao sofrimento luta por sua libertação. Cada participante do 14o intereclesial formará o coro dos anjos que apareceram aos pobres pastores em meio à noite para dizer: Glória a Deus e paz para toda a humanidade.

No plano social e político, o Brasil e toda a América Latina atravessam uma noite muito escura. Mas, como dizia Dom Helder Camara: “Quanto mais a noite é escura, mais a madrugada será luminosa”. O 14o Intereclesial das Cebs será a estrela que iluminará essa noite e nos dará força para ajudar o dia a clarear.   Marcelo Barros

Imagem: Ateliê 15

acesse o A CAMINHO edição 5 e saiba mais sobre a caminhada Rumo ao Intereclesial

A CAMINHO edição 5: Londrina, Cidade que Acolhe

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *