Solenidade de Maria – a Santa Mãe de Deus – Dia Mundial da Paz


Leituras: Nm 6,22-27 – Sl 66 – Gl 4,4-7 – Lc 2,16-21

Muito mais que falar dos dogmas marianos, convido vocês a refletirem comigo sobre Maria, a mulher, a mãe, a discípula, a que gerou para nós um irmão, Jesus, um irmão humano, gente como nós, capaz de nos entender e de nos indicar o melhor caminho, a melhor decisão, ainda que não seja a mais fácil!
Pouco sabemos sobe Maria! A Bíblia quase nada diz sobre ela, e o pouco pode ser lido como reflexões teológicas elaboradas pela tradição e pela piedade popular. Mas algumas passagens chamam a minha atenção:
* a sua entrega e adesão total ao projeto de Deus – projeto este no qual Deus quis a sua adesão e colaboração;
* uma adesão “no escuro” pois ela não entendia nada do que estava acontecendo, mas guardava tudo no “silêncio do seu coração”;
* e a dignidade com que se manteve aos pés da cruz, com o apoio de João.
Estes 3 pontos da vida de Maria me fazem refletir muito e tê-la como referência de mulher, de mãe e de discípula. Penso nas mulheres que ainda hoje são discrimadas por não se encaixarem nas “linhas culturais traçadas” para nós… penso nas mulheres homossexuais, nas prostitutas, nas “mães solteiras” – detesto estes slogan, pois ninguém diz “mães casadas” – enfim, penso naquelas que não têm um “José” ao seu lado, ou dispensaram, por diversas razões, o “seu” José e não são bem-vistas pela sociedade, pela família, e até mesmo por muitas pessoas das nossas igrejas e das nossas comunidades eclesiais… penso nas mães que a vida as obrigada a manterem-se de pé, como Maria; ao pé de tantas cruzes em que seus filhos são crucificados, literalmente, como as drogas, o mundo do crime, os divórcios que aniquilam e ferem nossas famílias, o desemprego, a infidelidade e traição por motivos diversos… enfim, penso em tantas “Marias”, que como Maria, passam por problemas parecidos, semelhantes e se mantém no anonimato, mas de pé!
Mas o que mais me toca, ao refletir sobre Maria, é a sua força e a sua coragem; coragem e força que costuram tudo que eu disse antes, mas também a sua simplicidade, a discrição com que se mantém ao lado do seu filho, e a sua firmeza… existem muitas “Marias” ao nosso lado… somos todas um pouco desta “Maria” quando nossos filhos de nós precisam… e aqui está explicada, segundo a minha visão, tanto amor que envolve o nosso povo com esta mulher: é identificação! Ela sabe o que passamos! Vale dizer que não são apenas as mulheres que amam tanto e confiam em Maria, também muitos homens, pais, maridos, cristãos que vêem nela um modelo a ser seguido!
E finalizando, celebramos também hoje o Dia Mundial da Paz! Parece contraditório, mas a devoção mariana nos faz buscar uma paz que não é passiva, não é calmaria, pela contrário é uma paz inquietante e absurdamente ativa pois sabemos que ela é buscada, construída, conquistada! Não vem a nós de forma mágica e de graça…
Não sabemos o que nos espera neste Ano Novo que inicia! Maria também não sabia ao dizer o seu sim – assinou uma folha em branco e o Senhor fez nela maravilhas – mas eu sei que Ele não escreverá a nossa história sem a nossa participação!

Que possamos, a exemplo de Maria, dizer sim a Deus, mas arregaçar as mangas pois muito tem que ser feito! Feliz Ano Novo! Que seja um Ano de Paz!

Por Quininha Fernandes

Imagem: Ateliê 15

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