Minha homenagem a D. Pedro Casaldáliga

Eu era apenas uma jovem da preferia de Cuiabá (MT) que trabalhava de cozinheira na casa de família, que estava começando a minha caminhada nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Pois tinha ouvido falar de um tal bispo do povo pobre e dos oprimidos chamado Pedro.

Isso me chamou a atenção, porque ainda não se tinha ouvido falar de algo assim. Fiquei encantada com essa notícia, pois nascia em mim uma nova visão de ser igreja, comprometida com a causa do reino de Jesus de Nazaré.

Arquivo pessoal.

Fui acompanhando a vida e caminhada de D. Pedro de longe. Tinha muita vontade de conhecê-lo, mas minha comunidade era muito pobre, e eu também não tinha condições financeiras para poder pagar minha passagem até São Felix do Araguaia (MT). Mas guardava tudo que ouvia sobre D. Pedro no coração, para depois colocar em prática, pensava eu.

Bom… o tempo foi passando, e um belo dia em uma reunião da Romaria das Trabalhadoras e dos Trabalhadores em Cuiabá ouvi falar da Romaria dos Mártires, e que sairia um ônibus de Cuiabá para Ribeirão Cascalheira. Falei: “Será que vou conseguir conhecer D. Pedro agora?”.

Quem estava organizando a caravana de Cuiabá era o Pe. Aloir, da paróquia do Rosário. A convite de seu Nonô resolvi embarcar nesse ônibus de romeiros e romeiras. Foram seis meses de preparação juntando um pouquinho do meu salário mínimo para pagar as passagens.

Maria e a filha Cristiane com dom Pedro. (Arquivo pessoal)

Nessa época eu já era coordenadora diocesana das CEBs de Cuiabá com muito orgulho. Fui a Ribeirão Cascalheira, na Romaria dos 10 anos e recebi a benção dele! A mulher que sou hoje na igreja teve como um de seus mestres D. Pedro Casaldáliga.

Bom, D. Pedro, primeiro quero dizer muito obrigada por tudo que foste e ainda é na nossa igreja. Obrigada pelo seu testemunho de vida, pelo seu amor aos pobres, excluídos, pelos nossos povos indígenas, sobretudo por nós, leigos e leigas. O senhor deu e continua dando exemplos lindos sobre a nossa missão de sermos verdadeiros sujeitos eclesiais neste mundo.

O senhor nos instigou a sermos profetas do reino, nos ensinou a sermos criativos, a termos ousadia e responsabilidades, para, assim, podermos dar o nosso testemunho de vida pela Vida.

 

“Sua história de vida já é passada para as minhas filhas e será passada para as minhas netas”

 

Obrigada por sempre estar ao lado das Comunidades Eclesiais de Base. Sabemos que nem nos momentos de dificuldades nos abandonou. Se hoje as Comunidades Eclesiais de Base são presença da igreja junto aos mais pobres e excluídos, se lutamos e resistimos diante da realidade em que vivemos hoje, com certeza sua contribuição foi fundamental para todos nós das CEBs.

Hoje as CEBs, mesmo com as nossas fragilidades, são formas de vivência expressivas na igreja do Regional Oeste 2.

Também quero dizer que sua história de vida já é passada para as minhas filhas e será passada para as minhas netas como testemunho de um verdadeiro profeta.

Arquivo pessoal.

Obrigada por ser o nosso profeta da ESPERANÇA E DO AMOR!

FELIZ ANIVERSÁRIO E MUITAS BENÇÃOS DO NOSSO DEUS!

 

Com carinho, de uma simples mulher de muita fé e esperança. 

Por Maria da Silva Costa Rossi, pedagoga/especialista em Educação Infantil e assessora das Comunidades Eclesiais de Base do Regional Oeste 2

 

 

 

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