Aquino Júnior: “uma Igreja que assume a causa dos pobres, defende e luta pela justiça, incomoda os grandes”

“fundamental é o processo de organização na base, é o processo de mobilização social, de fortalecimento da resistência, das lutas populares, é a formação na base, a formação política, social, eclesial. Eu acho que esse hoje é um desafio fundamental, a gente precisa olhar a longo prazo. É uma ilusão quem acha que 2018 pode ter alguma saída para o Brasil.”

Francisco Aquino Junior é uma referência da teologia da libertação entre as novas gerações de teólogos, não só no Brasil como na América Latina. Ele afirma que sua reflexão nasce da Igreja onde ele nasceu, “na Igreja da libertação, no contexto das comunidades de base, das pastorais sociais, no contexto de uma Igreja comprometida com as lutas populares”.

Por isso, ele reconhece  “me sinto as vezes um pouco só, no sentido de que há uma forma de pensar e de viver a Igreja excessivamente voltada ou reduzida ao culto e a doutrina, pouco aberta, sensível, comprometida com os problemas, com as causas, com o sofrimento do povo”. Ele sente que faz parte “da Igreja dos pobres”, uma Igreja nascida no Vaticano II, que em América Latina inculturou-se em Medellín e Puebla e que o Papa Francisco tem retomado e impulsionado. Por isso, cinqüenta anos depois, é necessário recuperar a visão eclesial de Medellín, “uma Igreja que se insere nas lutas populares, que assume as causas do povo”.

Aquino Júnior, não duvida em afirmar que “o Evangelho de Jesus Cristo desconcerta todas as estruturas de poder, seja na Igreja, seja na sociedade. Não esqueça que Jesus também foi perseguido no ambiente religioso, social e político em que ele viveu”. Desde essa perspectiva, “uma Igreja que assume a causa dos pobres, uma Igreja que defende a justiça, que luta pela justiça, é claro que isso incomoda os grandes”.

No Ano do Laicato, que está sendo celebrado no Brasil, o padre da diocese de Limoeiro do Norte, Ceará, traz a tona as palavras do Papa Francisco, quem afirma reiteradamente que “um dos maiores males da Igreja é o clericalismo”. Por esse motivo, “a gente deve pensar a Igreja não em termos de hierarquia e laicato, mas em termos de comunidades, carismas e ministérios”, a partir “da vocação batismal, da igual dignidade, de todo o Povo de Deus”.

O Ano do Laicato há de servir também para refletir sobre novos modos de celebrar a Eucaristia, pois se faz necessário que “que a Igreja tenha a sensibilidade e a abertura para buscar meios para que todas as comunidades cristãs possam celebrar a Eucaristia, porque isso é algo essencial na vida da Igreja”. Segundo Aquino Júnior, esse passo pode ser dado, “do ponto de vista teológico isso é uma coisa muito tranquila. O celibato não é uma condição para o ministério presbiteral”.

Diante da situação sociopolítica que o Brasil vive, reconhece que “A Igreja do Brasil também se afastou bastante, em seu conjunto, dos grandes problemas do país”. As causas nascem de um “centramento no culto, na catequese, na celebração”, e as conseqüências são que “a Igreja tem muita dificuldade, no seu conjunto, de se enfrentar como Igreja com esses problemas, porque parece que não é problema da Igreja”.

Você é considerado um dos referentes da Teologia da Libertação entre as novas gerações de teólogos brasileiros, até que ponto essa afirmação é certa?

Bom, eu nasci na Igreja latino-americana, na Igreja da libertação, no contexto das comunidades de base, das pastorais sociais, no contexto de uma Igreja comprometida com as lutas populares, nasci e cresci na pastoral da juventude do meio popular, nas organizações de base.

Então eu sou filho dessa Igreja, sou filho dessa tradição e depois entrei no seminário, para me preparar para assumir o ministério presbiteral na Igreja, fiz os estudos teológicos e acabei seguindo no estudo, no aprofundamento teológico, e evidentemente fiquei fazendo teologia dentro dessa tradição eclesial na qual eu vivo a minha fé.

Nesse sentido me sinto parte dessa tradição eclesial da Igreja dos pobres, da Igreja da libertação, e na medida em que passo a refletir sobre essa experiência de fé, então é assim que vai nascendo a teologia da libertação.

Durante longo tempo, muitos teólogos da libertação foram reprimidos e muitas vezes foram proibidos de escrever e de falar. A chegada do Papa Francisco tem mudado isso?

A chegada do Papa Francisco criou um ambiente eclesial mais favorável. No contexto da celebração dos cinqüenta anos do Concilio, logo se pode dizer que com Francisco se abre as janelas um pouco mais na Igreja para se arejar dentro da Igreja, com um pouco mais de liberdade. Esse jeito de ser Igreja e vem do Concilio, evidentemente que Francisco mudou a Igreja, no está trazendo uma coisa absolutamente nova, mas Francisco retoma, com a autoridade e a função do ministério que ele exerce, essas grandes perspectivas do Concilio Vaticano II, mas inclusive da forma como isso foi recebido na América Latina a partir das Conferencias de Medellín e de Puebla.

Nesse sentido, criou um ambiente um pouco mais favorável, mas não podemos esquecer que a gente tem um modelo de Igreja, uma perspectiva de ação pastoral, evangelizadora, que vai na contramão dessa perspectiva que o Concilio abriu, de uma Igreja inserida nos problemas do mundo, e concretamente uma Igreja comprometida com os pobres, como se deu em América Latina.

A gente tem vivido nos últimos anos um processo que na Europa se chama de inverno eclesial, mas que lá no Nordeste do Brasil, onde eu vivo, a gente tem que falar de uma seca eclesial, o que significa uma perspectiva de Igreja que se afasta dos problemas do mundo, que se volta para o culto, para a doutrina.

Nesse ano completa cinqüenta anos do Documento de Medellín. Você acaba de falar de Medellín, de Puebla, o que significou Medellín para a Igreja da América Latina?

Muitos falam de Medellín como o grande Pentecostes da Igreja da América Latina, como o batismo da Igreja da América Latina, no sentido de que em Medellín a Igreja assume a realidade latino-americana, se assume com a tarefa de ser nessa realidade concreta, marcada por profundas injustiças, um sinal do Evangelho de Jesus Cristo.

Nesse sentido é que Medellín inaugura um jeito verdadeiramente latino-americano de ser, e verdadeiramente latino-americano não porque, num sentido meio folclórico como alguns podem querer pensar, mas latino-americano porque assume eclesialmente, evangelicamente as realidades e os desafios da América Latina e se esforça por ser aí um sinal do Reino de Deus.

E porque isso provocou tanto medo na Europa, no Vaticano, porque esse jeito de fazer teologia foi tão reprimido?

Primeiro porque o Evangelho de Jesus Cristo desconcerta todas as estruturas de poder, seja na Igreja, seja na sociedade. Não esqueça que Jesus também foi perseguido no ambiente religioso, social e político em que ele viveu. É claro que se você pensa, por exemplo, uma Igreja que assume a causa dos pobres, uma Igreja que defende a justiça, que luta pela justiça, é claro que isso incomoda os grandes. Por isso a perseguição à Igreja da América Latina. Por que tantos mártires na Igreja da América Latina? Porque isso incomodou, porque isso assustou os poderosos deste mundo que sempre tiveram também na Igreja um grande aliado.

Por outro lado, dentro da própria Igreja, como como comunidade, Povo de Deus, com a igualdade fundamental do batismo, com os vários carismas e os vários ministérios, também vai criando relações novas dentro da Igreja que termina sendo também uma afronta a toda a ideologia clerical que tem tomado conta da Igreja, e que por mais que o Concilio tenha aberto perspectivas novas, não conseguiu, tanto que o Papa Francisco tanto tem insistido que um dos maiores males da Igreja é o clericalismo.

Esse jeito de ser Igreja, por um lado termina sendo uma afronta a essa lógica mais hierárquica, clerical da Igreja, que divide a Igreja em duas grandes classes, uma classe que pode, que manda e outra classe que obedece. Então é claro que isso incomoda muita gente e, por outro lado, na medida que assume a luta dos pobres, a causa dos pobres, também incomoda as grandes forças políticas e econômicas da sociedade.

Você participou do encontro intergeracional de teólogos da libertação promovido por Ameríndia em outubro do ano passado. Ameríndia vai organizar um encontro de teólogos em El Salvador sobre os cinqüenta anos de Medellín. O que esse encontro e essa reflexão teológica sobre Medellín pode trazer de volta para a Igreja latino-americana?

A celebração dos cinqüenta anos de Medellín, e esse encontro de El Salvador se insere dentro desse contexto, todo esse processo de celebração pode ter uma função muito importante, que é recuperar as grandes intuições de Medellín, não para repetir Medellín, mas as grandes intuições de Medellín, que é uma Igreja que se insere nas lutas populares, que assume as causas do povo. Isso implica também olhar para a realidade atual, para compreender os processos atuais, as resistências atuais, e fortalecer a presença e a participação da Igreja nesses processos.

O Papa Francisco tem falado muito de uma Igreja em saída para as periferias, ou seja, uma Igreja que se pensa a si mesma a partir e em função da missão de ser no mundo sinal e instrumento de salvação e de estar sobretudo onde tem sofrimento. O Papa Francisco tem falado tanto de periferias sociais como de periferias existenciais, seja situações de negação de direitos, de concentração de renda, de discriminação, de injustiças, seja aquelas varias situações de sofrimento que marcam a vida de grande parte da população. O Papa Francisco acho que recupera inclusive essa grande intuição fundamental de Medellín, uma Igreja em saída para as periferias, uma Igreja que se pensa não a partir e em função de si mesma, mas uma Igreja que se pensa a partir e em função da humanidade sofredora, de ser para a humanidade sofredora um sinal da bondade, da ternura de Deus.

Sair para as periferias supõe muitas vezes ficar na intempérie, desprotegido. Por que esse medo a sair para as periferias?

Por que como você mesmo diz, isso dá insegurança. O Papa Francisco tem usado inclusive umas imagens para dizer que quando a Igreja sai, ela pode ser acidentar, pode se enlamear. Quem está no mundo corre risco, e as vezes, muitos preferem a segurança do templo. Daí a resistência de sair do espaço cômodo, seguro, dos privilégios. Por que não se trata também simplesmente de sair, de sair para não ter sofrimentos. Se trata de sair ao encontro das pessoas, das comunidades, dos grupos que sofrem por negação de direitos, ou muitas situações que causam sofrimentos.

Você fala de clericamismo. Nesse ano a Igreja do Brasil está celebrando o Ano do Laicato. Como enfocar isso desde a teologia, até que ponto pode ajudar a fazer uma teologia do laicato mais comprometida, uma teologia do laicato que seja mais respeita e valorizada por parte da Igreja como um todo?

Acho uma coisa muito importante a gente já superar essa forma de entender a Igreja, ou a estrutura social da Igreja, no binômio hierarquia e laicato. Essa é uma forma que divide a Igreja em duas classes e isso vai contra as grandes intuições do Concilio, embora o Concilio nem tenha conseguido tirar todas as conseqüências disso.

Eu penso como o documento anterior, Vocação e Ministério dos Leigos, dizia que a gente deve pensar a Igreja não em termos de hierarquia e laicato, mas em termos de comunidades, carismas e ministérios. Em comunidade falamos daquilo que é comum a todo o Povo de Deus, da vocação batismal, da igual dignidade, de todo o Povo de Deus, e dentro do Povo de Deus existem muitos carismas e muitos ministérios, dentre eles o ministério de presidência da Igreja, o ministério ordenado na Igreja.

Mas pensar a Igreja em termos de hierarquia e laicato, esse é, as vezes, um dos perigos do Ano do Laicato, que a gente queira pensar o leigo como aquele que não é ordenado. E pensar o leigo como aquele que não é ordenado e que tem função no mundo, é o passo que o ordenado tem função mais dentro da Igreja. Essa é uma lógica clerical de pensar a Igreja. Eu sou um ministro ordenado, mas eu sou leigo, que eu sou Povo de Deus. Se leigo significa Povo de Deus, todos os membros da Igreja são Povo de Deus, e dentre esses alguns assumem um tipo de ministério, outros assumem outro ministério, e todos os ministérios para que a Igreja possa desempenhar melhor a sua função.

Antes você falava de perseguição, alguma vez você se sentiu perseguido pelo seu jeito de fazer teologia?

Não diria que perseguido, mas diria que me sinto as vezes um pouco só, no sentido de que há uma forma de pensar e de viver a Igreja excessivamente voltada ou reduzida ao culto e a doutrina, pouco aberta, sensível, comprometida com os problemas, com as causas, com o sofrimento do povo. Quando a gente traz esses problemas, às vezes é mal compreendido, que isso não é coisa da Igreja, que isso não é tarefa da Igreja, porque a Igreja é para rezar.

Por outro lado, na medida em que a gente apóia o povo também nas suas lutas, a gente denuncia as situações de injustiça, a gente também não deixa de criar conflitos com pessoas de classe media-alta, que também participam da Igreja e que se sentem incomodados, com políticos, com meios de comunicação também. Na medida em que a gente se insere também dentro desses processos a gente acaba experimentando do conflito que o povo vive.

Partindo do Ano do Laicato e de outras idéias que vão aparecendo, inclusive alguns bispos aqui no Brasil e sobretudo na América Latina, estão planteando a possibilidade de mudar o jeito de celebrar a Eucaristia em algumas regiões, sobretudo na Amazônia e em outras regiões onde a presença presbiteral é muito limitada, as vezes uma vez por ano. Como enfocar isso desde a teologia, como enfocar essa presidência eucarística por um ministro leigo?

Veja bem, a Eucaristia é a expressão máxima da vida eclesial, fonte e cume da vida cristã. A liturgia em geral, e a Eucaristia de um modo particular, como já dizia o Concilio Vaticano II. O problema é aquilo que é essencial e central na vida da Igreja, disso está privado uma grande parte do Povo de Deus pela forma como está organizado o ministério da presidência da Eucaristia.

Isso exige que a Igreja tenha a sensibilidade e a abertura para buscar meios para que todas as comunidades cristãs possam celebrar a Eucaristia, porque isso é algo essencial na vida da Igreja. Nesse sentido é preciso repensar o ministério de presidência da Eucaristia. O Papa Francisco tem uma sensibilidade pastoral muito grande, e no caso da Amazônia concretamente é preciso buscar formas de não privar a comunidade da celebração da Eucaristia.

Creio que é uma das coisas que a Igreja precisa enfrentar, e o Papa Francisco tem levantado isso, está se discutindo no contexto da Amazônia, não sei até onde isso vai chegar, mas do ponto de vista teológico isso é uma coisa muito tranqüila, que a Igreja possa escolher e nomear ministros para presidir a eucaristia que não seja nessa forma que a gente tem no Ocidente necessariamente com ministros celibatarios. O celibato não é uma condição para o ministério presbiteral.

É no contexto atual de regulamentação da Igreja, mas a Igreja pode rever isso, e o Papa Francisco, pelo menos do que a gente tem escutado de bispos que já até chegaram a comentar para ele, tem abertura para isso, mas espera que isso venha das conferências episcopais. Então isso também vai depender muito do episcopado amazônico, brasileiro e de outros países, se vão ter sensibilidade para isso. Se vão colocar em primeiro lugar a necessidade que a comunidade eclesial tem de celebrar a Eucaristia, ou uma forma específica de regulamentar o ministério.

A Igreja está preparada para isso? Por que quando o Papa reclama essas iniciativas, depois não se concretizam?

Diria que por um lado a gente tem uma perspectiva eclesial bastante clerical e que há muita resistência, não só da parte de bispos, de padres, mas do povo em geral. Mas por outro lado, há abertura em amplos setores da Igreja e na medida em que algo venha não simplesmente para dizer que é uma moda, que é uma novidade, que é uma ruptura, mas que vem para atender uma necessidade da comunidade, creio que a Igreja integraria ou iria aos poucos integrando isso sem maiores problemas, sem maiores dificuldades porque não se trata aqui de dizer assim, você está rompendo, você está criando uma novidade, que é uma moda. Não, se trata de atender a uma necessidade pastoral da comunidade.

Inclusive há sempre essa perspectiva do Papa Francisco, que não é ruptura por ruptura, não é novidade por novidade, mas é encontrar meios de responder aos desafios pastorais da comunidade.

Diante da realidade que o Brasil está vivendo atualmente, o que você pensa da reação que a Igreja está tendo, não só os bispos como a Igreja em geral? Desde seu ponto de vista, a postura do episcopado, dos padres e até dos próprios leigos, está sendo adequada para dar uma resposta a essa situação?

A Igreja do Brasil também se afastou bastante, em seu conjunto, dos grandes problemas do país. Também a Igreja do Brasil viveu esse processo de retração, de distanciamento dos grandes problemas, dos grandes desafios da sociedade, viveu um processo de volta para dentro de si mesma, um centramento no culto, na catequese, na celebração. Talvez menos do que em outros lugares, mas numa forma bastante acentuada, então a Igreja tem muita dificuldade, no seu conjunto, de se enfrentar como Igreja com esses problemas, porque parece que não é problema da Igreja, isso por um lado.

Por outro, a gente precisa considerar a complexidade do processo em que a gente está vivendo, porque a gente, também amplos setores de esquerda que acabaram nesses últimos anos ganhando espaço e poder no âmbito legislativo e executivo, também entraram na lógica do poder corrompido e corruptor. Não é tão simples tomar posição, porque não se trata muitas vezes de defender pessoas inocentes e honestas. Se trata de todo um jogo corrompido da política em que amplos setores da esquerda entraram também.

Não é tão simples, porque você não tem simplesmente inocente e vítima, você tem inclusive um complô de amplos setores da elite com esses setores. Quem deu o golpe eram os aliados. A política que está se implementando no governo Temer é uma radicalização da política que já vinha sendo feita nos governos Dilma e Lula. Por mais que tenha programas sociais importantes que tem feito muito bem à população, a política econômica era a mesma, não se mexeu na estrutura do país.

Não é a toa que os banqueiros nunca ganharam tanto como nos governos Dilma e Lula. Não é a toa que os dados da concentração de renda, não houve uma alteração na concentração de renda do país. Seis pessoas têm a renda de cem milhões de pessoas no país. A conjuntura política que a gente vive é muito difícil, porque nós temos um processo de aprofundamento, de radicalização do modelo neoliberal na economia, na política. Mas nós temos também, e isso é um agravante, um assumir que amplos setores da esquerda estão nessa mesma lógica do poder.

Diante desse comodismo, não seria o momento de recuperar as escolas de fé e política, a formação política que tanto acompanhou a vida da Igreja do Brasil algumas décadas atrás?

Talvez, uma das piores coisas que aconteceram nesses últimos anos foi a cooptação de muitas lideranças, de muitos movimentos sociais, de muitas pastorais sociais, por parte de governos de caráter mais popular ou mais democrático. Muitas lideranças passaram a assumir cargos de governo e deixaram de mobilizar a sociedade, passaram inclusive a frear os processos de mobilização.

Inclusive entidades sindicais, organizações populares aliadas do governo, ao invés de mobilizar a sociedade, desenvolver o senso crítico na população, passaram a justificar todas as coisas do governo, a dizer, não, a gente não pode criticar, porque isso é fazer o jogo da direita e isso acabou contribuindo para que os governos de centro-esquerda fossem, cada vez mais, tomando caminhos da direita e se aliando com os grandes grupos.

Nesse sentido, acho que uma coisa fundamental é o processo de organização na base, é o processo de mobilização social, de fortalecimento da resistência, das lutas populares, é a formação na base, a formação política, social, eclesial. Eu acho que esse hoje é um desafio fundamental, a gente precisa olhar a longo prazo. É uma ilusão quem acha que 2018 pode ter alguma saída para o Brasil. Com o sem Lula não tem saída, a gente precisa construir, retomar o processo de organização popular, conscientização política, mobilização da sociedade, e ter clareza de que a gente não pode se iludir de achar que você vai transformar o mundo através de um governo, de um partido, de um parlamento, por mais que isso seja um instrumento importante.

 

Luis Miguel Modino-Comunicação das CEBs do Brasil

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