Maurício López: “no processo sinodal se faz necessária uma verdadeira escuta ativa dos povos da Amazônia”

“é um texto que mostra os rostos concretos da realidade pan-amazônica, os gritos dessa territorialidade diversa, o convite a uma Igreja que vai em saída, que responde aos sinais concretos da realidade”

Maurício López é uma das pessoas que melhor conhece os processos do Sínodo dos Bispos da Pan-Amazônia. A sinodalidade é um dos aspectos nos quais insiste o Papa Francisco e, nesse sentido, o Secretário Executivo da Rede Eclesial Panamazônica, – REPAM -, após a celebração da primeira reunião do Conselho Pré-sinodal junto com os assessores, que aconteceu no Vaticano nos dias 12 e 13 de abril, insiste   que o encontro “tem havido uma absoluta experiência de sinodalidade. A comunhão com que tem vivido os membros do Conselho Pre-sinodal junto com a Secretaria do Sínodo dos Bispos e os assessores tem sido profundamente inspiradora”.

O mesmo  foi ressaltado por muitos dos presentes, o Secretário Executivo da REPAM, destaca que “a presença do Papa evidentemente que tem iluminado, porque tem sido uma presença calada, de escuta, onde ele mesmo, no final, tem indicado que ele faz parte desse processo para escutar, para compreender como está se constituindo o processo sinodal e logo após poder, de algum modo, acompanhar adequadamente”.

Essa é uma atitude surpreendente, ainda mais tendo em conta a história da Igreja e dos últimos papados, mas que se faz cada vez mais comum se tratando do Papa Francisco, “que não está ali para controlar ou dirigir, senão que verdadeiramente para assistir ao processo”, remarca López. Nesse sentido, dentro de “um ambiente realmente festivo e esperançante”, segundo o Secretário da REPAM, destaca que era “uma presença do Papa que partilhava também os espaços cotidianos, a oração, no lanche, com uma disponibilidade para falar com todos, para escutar, para poder aprofundar mais na missão de cada um”.

O texto elaborado para trabalhar o Sínodo nas comunidades da Amazônia, que, no momento oportuno, “tem que ser apresentado oficialmente pela Secretaria do Sínodo”, tem seguido uma “dinâmica de construção coletiva”, segundo Maurício López,   “é um texto que mostra os rostos concretos da realidade pan-amazônica, os gritos dessa territorialidade diversa, o convite a uma Igreja que vai em saída, que responde aos sinais concretos da realidade, e a possibilidade de ir acontecendo como perspectivas para chegar nessas novas vias”, recolhendo a vida local e iluminando essa realidade com os eixos fundamentais do papado de Francisco.

Se tem uma coisa que vai ser importante no decorrer do Sínodo, isso será o trabalho nas bases, “que tenha uma verdadeira escuta ativa, recepção adequada e logo após, pelo tanto, uma resposta que enriqueça todo o processo sinodal da parte de todas as instâncias participantes”, segundo o Secretário da REPAM, que “tem sido encomendada para poder também animar todos os espaços de assembléias territoriais, associadas formalmente ao Sínodo, foros temáticos, alguns espaços também acadêmicos e logo após alguns encontros internacionais que estão se pensando para poder aprofundar nos dois elementos do Sínodo, os novos caminhos para a Igreja com rosto amazônico e também as perspectivas para uma ecologia integral”.

Junto com isso, “a REPAM faz formalmente parte da animação, e sobretudo do encurtar brechas para que toda a consulta desse Sínodo chegue nos territórios e na vida das pessoas e, pelo tanto, para que essa vida e esses territórios se comuniquem com a Igreja que quer também escutar, repensar e plantear novas coisas”. Falando a verdade, se faz necessário uma mútua comunicação que faça possível encontrar os novos caminhos que o Sínodo pretende construir.

Maurício López, destaca em suas conclusões sobre a reunião, “a presença dos bispos missionários, que vivem e trabalham na Amazônia”, fato sobre o qual afirma que “tem trazido um sopro de vida, uma brisa de ar fresco porque são testemunhas desde a própria experiência, desde estar encarnados na realidade e desde o escutar cotidianamente e diretamente às comunidades”, elemento que deve fazer realidade um processo sinodal com o pé no chão. São bispos “que tem trazido também na memória e no coração a importância dos testemunhos martiriais, que são também sangue derramado na Amazônia e que nos convidam a poder responder com essa mesma convicção aos sinais da realidade”, segundo o Secretário da REPAM.

Maurício López se diz consciente “que temos feito apenas uma primeira etapa, que é um processo paulatino” e para isso faz um chamado a “nos colocar nas maõs de Deus”. Esse momento, “se conecta evidentemente com o inicio do Sínodo formal, com o anúncio e a visita do Papa em Puerto Maldonado”, segundo ele. Nesse sentido, o Secretário Executivo da REPAM destaca que a “mensagem no Peru aos povos indígenas amazônicos tem sido parte essencial de toda a disscusão nesta sessão do Conselho Pre-sinodal”. Dentro da fase de consulta, que vai começar nos próximos meses, “vai ter inclusive uma mediação dos documentos para ficar mais perto da vida da população de a pé que caminha nessa realidade”.

Essa próxima fase, será sucedida pela “fase de integrar e acolher todas essas respostas ao que vai ser o documento de trabalho, o instrumentum laboris, que é ao que logo após será enviado para que todos os que vão participar na fase final do Sínodo, em outubro de 2019, possam revisar, refletir e votar finalmente para plantear possivelmente uma exortação apostólica e as novas possibilidades ou novos caminhos para a Igreja nesse território lindo que é a Amazônia”, afirma Maurício López.

Sem dúvida, se apresentam perspectivas de futuro esperançoso,  ainda mais depois de tudo o que tem sido vivido nos momentos iniciais. Caminhemos juntos com esperança, pois esse é um momento histórico, que pode mudar o futuro e fazer mais visível o Deus que se faz presente na vida dos povos e da Igreja da Pan-Amazônia.

Por Luis Miguel Modino

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