Para Onde Ele Enviar. Dom Juventino Kestering-45 anos de Ordenação Sacerdotal.

Estamos no 15ª domingo do tempo comum. Tempo de escuta dos ensinamentos do mestre Jesus. Espaço litúrgico e cor dos paramentos continuam verdes. Sinal de esperança e de vida. Há uma canção de Adriana que assim canta: “Aonde mandar eu irei, Seu amor eu não posso ocultar, Quero anunciar para o mundo ouvir, Que Jesus é o nosso Salvador”.

O Evangelho (Mc 6,7-13) relata esta realidade do envio, da escolha, da missão, do partir em missão. “Jesus chamou os doze, e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros. Recomendou-lhes que não levassem nada para o caminho, a não ser um cajado; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura. Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas. E Jesus disse ainda: ‘Quando entrardes numa casa, ficai ali até vossa partida. Se em algum lugar não vos receberem, nem quiserem vos escutar, quando sairdes, sacudi a poeira dos pés, como testemunho contra eles!’ Então os doze partiram e pregaram que todos se convertessem. Expulsavam muitos demônios e curavam numerosos doentes, ungindo-os com óleo”.

O Evangelho tem em seu núcleo a missão. Jesus chamou os doze, os envia dois a dois, Recomenda que não levem muita coisa. O evangelizador precisa ser simples, por isso ‘andar de sandálias, não levar mala e nem duas túnicas’. É um evangelho dinâmico, de missão, de ir ao encontro, de ir às outras aldeias. O Papa Francisco insiste numa “Igreja de saída” E este convite é para todos. Também para você. O papa lembra: “Naquele “ide” de Jesus, estão presentes os cenários e os desafios sempre novos da missão evangelizadora da Igreja, e hoje todos somos chamados a esta nova “saída” missionária. Cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho”.

O hoje e o amanhã da Igreja passa pela capacidade de ser Igreja missionária. Igreja de saída, de ir ao encontro do outro para lhe anunciar a vida, o evangelho, a alegria do seguimento de Jesus. Porem o Papa (cf EG 21) relembra que não basta ir ao encontro, mas é necessário que “A alegria do Evangelho, que enche a vida da comunidade dos discípulos, é uma alegria missionária. Experimentam-na os setenta e dois discípulos, que voltam da missão, cheios de alegria… Esta alegria é um sinal de que o Evangelho foi anunciado e está a frutificar. Mas contém sempre a dinâmica do êxodo e do dom, de sair de si mesmo, de caminhar e de semear sempre de novo, sempre mais além”. Jesus diz: “Vamos para outra parte, para as aldeias vizinhas, a fim de pregar aí, pois foi para isso que Eu vim” (Mc 1,38).

Ser Igreja missionária é ir para o outro lado. Não ficar no nosso lado, no nosso reduto, no nosso mundo.  “Sair do sofá” como diz o Papa para abrir-se aos novos desafios, às realidades gritantes dos edifícios e das favelas, das avenidas e ruelas, da cidade ao campo, do fácil acesso é aos desafios do pantanal e dos assentamento, do andar a pé, do adentrar nas aldeias indígenas, nos sertões e florestas, nas planícies e nas montanhas. E são muitos os que “deixam tudo” e se doam em favor da evangelização, da promoção da vida, da defesa da justiça. São inúmeros padres, religiosos/as, leigas e leigos, que estão em missão. Mas também cresce o número de profissionais, veterinários, agrônomos, médicos, professores que doam parte de sua vida num campo avançados em outros países e continentes em ajuda humanitária, entre a pobreza extremada, epidemias, refugiados, migrantes.

Diante desta realidade vivida, experimentada e sentido, São Paulo ensina: “Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto do céu nos abençoou com toda a bênção espiritual em Cristo, e nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, diante de seus olhos. “No seu amor nos predestinou para sermos adotados como filhos seus por Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua livre vontade, para fazer resplandecer a sua maravilhosa graça, que nos foi concedida por ele no Bem-amado. Nesse Filho, pelo seu sangue, temos a Redenção, a remissão dos pecados, segundo as riquezas da sua graça que derramou profusamente sobre nós, em torrentes de sabedoria e de prudência”  (Ef 3,5-8).

Rezemos com a Igreja: Ó Deus, que mostrais a luz da verdade aos que erram para retomarem o bom caminho, dai a todos os que professam a fé rejeitar o que não convém ao cristão e abraçar tudo o que é digno desse nome. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho…

Neste dia 14 de julho completo 45 anos de ordenação sacerdotal. Vida doada. Só ação de graças, pois o Senhor Jesus sempre foi bondoso comigo. “O Espírito do Senhor está sobre mim e enviou-me para evangelizar”. Sim, assumi esta frase no diaconato, na ordenação presbiteral e episcopal. É a linha mestra da missão. Deus seja louvado. Obrigado a todos que me ajudaram a construir minha vida como presbítero e como bispo.

Que o Sagrado Coração de Jesus, patrono da Diocese abençoe e proteja nossa família. Saúde aos doentes, alegria aos tristes, esperança aos desanimados. Vamos irradiar alegria e fé e fazer coisas boas.

Dom Juventino Kestering
Diocese de Rondonópolis-Guiratinga

Fonte: www.diocesederondonopolis.org.br

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