Cláudio Perani, precursor da Igreja em saída de Francisco

 Numa época em que estão desaparecendo as utopias, é preciso um olhar profético.

“os cristãos são chamados a serem homens e mulheres de esperança, que conseguem ver nos sinais dos tempos as tendências da Evangelização”.

Dom Luiz

Andar pela Amazônia, escutar o que o povo fala, suas demandas e esperanças, seus problemas e soluções, suas utopias e sonhos, foi um dos chamados de Cláudio Perani, o jesuíta de origem italiano que encontrou no Brasil sua segunda pátria. Nesta quarta-feira, 8 de agosto, no dia em que se completam dez anos da sua Páscoa, deu começo o Seminário Cláudio Perani, Desafios e Perspectivas, com uma celebração eucarística na Catedral de Manaus, presidida pelo Arcebispo emérito, Dom Luiz Soares Vieira, junto com Dom Sérgio Castriani, Arcebispo de Manaus e seu bispo auxiliar, Dom Tadeu Canavarros.

Como falava Dom Luiz, “o povo Francisco acredita na Igreja em saída, no encontro com os povos na medida gratuita”, uma atitude muito presente na vida de Cláudio Perani, fundador da Equipe Itinerante. Desde essa perspectiva, ele se perguntava, “como é que está o nosso povo, a nossa gente na Amazônia?”, contemplando o Sínodo da Amazônia como oportunidade para “trazer luz sobre a atuação nossa Igreja”.

Para isso, segundo o Arcebispo emérito de Manaus, se faz necessário conhecer a realidade dos diferentes povos e lugares, de uma região “que diz muita coisa para o mundo”. Desde uma ideia do Papa Francisco, que diz que “o todo é maior que as partes”, Dom Luiz afirmava que “é preciso se debruçar com as partes, mas temos que pensar no todo, encontrar alguma coisa maior”. Junto com isso, lembrava outra frase do bispo de Roma, “o tempo é maior do que o espaço”, que o leva a pensar que “com o tempo o espaço foi tomando outras dimensões. É preciso olhar para o futuro”. Desde aí se perguntava “para onde está indo nossa região”.

Numa época em que estão desaparecendo as utopias, é preciso um olhar profético. “os cristãos são chamados a ser em homens e mulheres de esperança, que conseguem ver nos sinais dos tempos as tendências da Evangelização”, segundo Dom Luiz. Desde essa perspectiva, ele destacava em Cláudio Perani o fato de que “insistiu em fazer conhecer a realidade da nossa gente, para assim fazer realidade o Reino de Deus”. Nesse sentido, o Arcebispo emérito recordava a importância das mulheres na Amazônia, “uma região marcada pela presença importante da mulher. A mulher é um dos meios que fazem presente o Reino de Deus entre nós”, destacando a sensibilidade e intuição das mulheres e sua importância no trabalho de Cláudio Perani, “uma pessoa pessoa que deixou tantas marcas entre nós”.

Depois de agradecer a irmã e a cunhada do Padre Perani pela sua presença na celebração e pela obra deixada pelo jesuíta, Dom Luiz fazia um chamado ao amplo grupo dos membros da Companhia de Jesus presentes, dizendo que “continuem o trabalho de Cláudio Perani”, aproveitando o momento do Sínodo da Amazônia, cujo processo já está andando.

As emotivas palavras da irmã de Claúdio Perani, encerraram uma celebração marcada pelas músicas e sinais próprios da Amazônia. Nelas agradecia a presença de quem estava na celebração e, falando do irmão, afirmava que “a presença dele é sempre viva”, e junto com isso, “vejo ele nas palavras, gestos, reflexões e humildade do Papa Francisco”, animando aos presentes a serem sua fala, os continuadores de um “trabalho que deu fruto no meio do povo brasileiro”, pedindo sua intercessão para que “o Brasil e o mundo inteiro encontre tempos melhores”.

O seminário vai continuar até o próximo dia 11, com colóquios, reflexões, celebrações, onde além de lembrar a figura de Cláudio Perani, vão ser procurados, no meio dos seus pensamentos, esses novos caminhos para a Igreja e a ecologia integral que o Sínodo da Amazônia nos pedindo.

“Coragem, comecem por onde possam!” (Cláudio Perani).

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