Diocese de Rondonópolis/Guiratinga emite Mensagem sobre as Eleições 2018

 A Diocese de Rondonópolis Guiratinga, sede do 15º Intereclesial reafirma o compromisso profético já  assumido  e  envia mensagem sobre as eleições 2018.

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MENSAGEM PARA AS ELEIÇÕES 2018 DIOCESE DE RONDONÓPOLIS GUIRATINGA

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DIOCESE RONDONOPOLIS-GUIRATINGA

CARTA AOS CRISTÃOS SOBRE AS ELEIÇÕES DE 2018

“Ai daqueles que fazem leis injustas, que escrevem decretos opressores para privar os pobres dos seus direitos e da justiça” (Isaías 10,1).

Caros irmãos e irmãs,

No próximo dia 7 de outubro somos convocados a exercer um direito fundamental do regime democrático: voto. Este ano eleitoral segue marcado por um acentuado desencanto com os políticos e com a política, marcado pela crise ética, pelo clima de ódio e intolerâncias e até ameaças a democracia. “O bem da nação requer de todos a superação de interesses pessoais, partidários e corporativistas. A polarização de posições ideológicas, em clima fortemente emocional, gera a perda de objetividade e pode levar a divisões e violências que ameaçam a paz social” (Nota da CNBB, 13 de abril de 2016)

Diante deste desafio que atinge a todos nós, a Diocese é chamada a dar orientações à luz da fé cristã. Cada cidadão/a tem o direito, mas também o dever de votar com consciência. A Igreja não se sobrepõe à consciência de nenhuma pessoa, mas, à luz da Doutrina Social, dos pronunciamentos do Papa e dos documentos publicados pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, oferece critérios para o necessário discernimento nesse momento importante da história nacional, a saber:

1- Escolha candidatos (as) que tenham boa índole. Procure informações, em fontes seguras sobre sua vida, sua atuação na sociedade, seu trabalho social, os valores éticos e cristãos que defende. Sendo candidato à reeleição, procure saber como ele votou nos projetos de lei de interesse da população, especialmente dos mais pobres. Anular o voto ou votar em branco favorece o pior político, enfraquece a democracia e põe em risco a oportunidade de melhorar a política.

2- Conheça não apenas a pessoa do candidato, mas também o partido a que ele se afiliou. Compare as propostas que cada partido se propõe a colocar em prática e verifique se correspondem à visão de bem comum coerente com os valores do Evangelho. Evite espalhar noticias falsas, isso atrapalha o diálogo saudável estimula a intolerância e o ódio.

3- Vote em candidatos (as) que estejam comprometidos com políticas públicas que defendam e promovam a dignidade da vida em todas as suas fases, a inclusão dos excluídos e injustiçados, das mulheres, dos idosos, dos jovens, das crianças, das populações indígenas e dos mais vulneráveis. O voto é nossa melhor força para alcançar isso.

4- Não merecem o voto, os candidatos (as) despreparados, que fazem da política a sua profissão, que se escondem por trás de interesses particulares, que formam grupos de poder ou “bancadas” e que só pensam em si mesmos e como lucrar para seu próprio proveito. Igualmente os candidatos oportunistas, que só aparecem em épocas de campanha ou que fazem promessas exageradas. A situação critica na qual o país se encontra requer a apresentação de propostas realistas para os graves problemas sociais e econômicos do país e não apenas propostas pontuais, de efeito midiático.

5- Não merecem o voto, candidatos (as) que ataquem os Direitos Humanos e incitam à violência como solução para os problemas sociais e que não defendam os valores da vida desde a fecundação até a morte natural; os valores da família, da liberdade religiosa, do respeito, da saúde, da educação, da moradia e da preservação do meio ambiente.

Nas eleições de outubro, deve-se avaliar com seriedade cada candidato, cada candidata, cada partido, seu programa de governo, suas propostas, sua campanha, as alianças de seu partido e sua atuação política passada. “O bem maior do País, para além das ideologias e interesses particulares, deve conduzir a consciência e o coração tanto de candidatos, quanto de eleitores” (CNBB, Eleições 2018: Compromisso e Esperança).

E ainda: Precisa-se de cuidado na escolha dos senadores e deputados, que constituem o Poder Legislativo. No Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas é que se votam as leis que podem ajudar ou prejudicar o povo. A cidadania, no entanto, não se esgota no voto. É preciso continuar acompanhando os eleitos, cobrando-lhes o cumprimento de seu dever de servir o povo, através de conselhos municipais e fóruns de cidadania, entre outros.

O Papa Francisco lembra que: “Envolver-se na política é uma obrigação para um cristão. Nós, cristãos, não podemos nos fazer de Pilatos e lavar as mãos. Não podemos! Devemos nos envolver na política porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, porque ela procura o bem comum” (Papa Francisco 07/06/2013).

Que o Sagrado Coração de Jesus, patrono de nossa Diocese, ilumine a nós e a todo povo brasileiro, para o bom exercício da eleição, elegendo os nossos representantes, esperança de dias melhores, garantia da democracia, superando a intolerância e dialogar para anunciar o Reino de Deus, sendo “sal da terra e luz do mundo”.

Rondonópolis, 28 de setembro de 2018.

Juventino Kestering

Bispo da diocese de Rondonópolis-Guiratinga

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