Eis o Estado Leigo, um Estado Pleno de Vida e Fortalecido pela Eclesiologia de Povo de Deus.

Desta forma, todos são chamados a se sentir útil às necessidades da Igreja, colaborando a seu modo, com seus dons e carismas, para o serviço do Reino.

Neste domingo a Igreja Católica celebra a festa de Cristo Rei, e, neste dia, com uma liturgia riquíssima (este ano, a partir de Jo 18,33b-37), a Igreja volta-se também aos leigos, aos cristãos-leigos, que pelo batismo incorporam-se a Cristo e assumem a sua vocação/missão no mundo.

Vivem isso no lugar onde se encontram, sendo testemunhas do Reino num serviço pastoril, antecipando hoje (em construção) o que se experimenta pela força do ressuscitado (em esperança) que nos apresenta o seu futuro.

Eis o estado leigo, um estado pleno de vida cristã que é fortalecido pela eclesiologia de Povo de Deus, característica preponderante do Concílio Vaticano II.

O Vaticano II, através de sua Constituição dogmática Lumen gentium – depois de definir a Igreja como mistério, pois ela vem do próprio Deus, nasce do coração de Cristo, de quem é na Terra o sacramento visível (LG 1) – define a Igreja como Povo de Deus (capítulo II), e no seu conceito de Povo, inclui “todos” os fiéis batizados, colocando “todos” na mesma importância e dignidade (LG 32b), favorecendo o sacerdócio comum de “todos” os fiéis (LG 10) e o senso da fé (LG 12), que é despertado e sustentado pelo Espírito Santo, que anima os carismas de “todo” o Povo de Deus e “os torna aptos e prontos a tomarem sobre si os vários trabalhos e ofícios, que constituem para renovação e maior incremento da Igreja” (LG 12b).

Desta forma, todos são chamados a se sentir útil às necessidades da Igreja, colaborando a seu modo, com seus dons e carismas, para o serviço do Reino. A Igreja, a partir desta nova percepção eclesiológica, não é mais definida pela sua hierarquia, de cima para baixo, mas pela “totalidade” de seu povo, por sua condição comunitária, onde se faz valer o batismo que torna cada um, homem e mulher, novo ou velho, um membro da Igreja, na qual, pela força do Espírito, se faz valer o mistério de Deus que tudo encaminha para a salvação.

É de onde surge esta importante vocação. É a que concentra o maior número de fiéis e que são, a seu modo, verdadeiros sujeitos eclesiais; homens e mulheres, novos e velhos, formados ou não, mas plenos do Espírito de Deus e verdadeiramente Igreja de Cristo.

Que o Cristo – pastor e rei – nos inspire no serviço e na prática do Reino. Um Reino que esperamos, que buscamos e que construímos!

Cesar Kuzma
24/11/2018 (Solenidade de Cristo Rei – Dia do Leigo)

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