CEBs, O Batista, Maria e Jesus. Celso Pinto Carias

As CEBs devem reencontrar sua contribuição na igreja e no mundo. Será exigido desapego, paciência, capacidade de vislumbrar o novo, de sonhar um novo mundo

Para celebrar o NATAL de Jesus Cristo a liturgia cristã de muitas igrejas realiza o período do ADVENTO. Em 2018 o primeiro domingo do Advento foi 02/12. Data que deveríamos montar nossos presépios e manter até a FESTA DOS MAGOS. Porém, na sociedade, predominantemente capitalista, o cenário começa a mudar antes. Bolinhas, árvores, papai Noel, etc. Desde crianças achava engraçado que as pessoas diziam: “o natal está chegando, tenho que pintar a minha casa”.

Já se tornou comum afirmar que o Natal se tornou uma festa do consumo. Nestes tempos de letargia, de paranoia, esquizofrenia, entre outras coisas, mergulhados no turbilhão de uma crise civilizatória, parece que a resposta inicial às perguntas do personagem Zezinho, do belo e antigo programa Castelo Ratimbum da TV Cultura, continua a ressoar fortemente: “Porque SIM Zezinho”.

Quando se fala de autocrítica, de discernimento, de ressignificação, de utopia, as pessoas olham e dizem: “De que você está falando?”. Não se faz necessário tanta coisa, basta dá uma arrumadinha ali, um conserto acolá, trocar um “messias” por outro e pronto, tudo vai voltar à normalidade.

A pergunta que o povo fez a João Batista: “Que devemos fazer?”, conforme o Evangelho de Lucas (Lc 3,10-18), no terceiro Domingo do Advento, não foi respondida com um grito do profeta: “Porque SIM meu povo”. Resumidamente podemos afirmar que ele respondeu: ajam como seres humanos que acreditam no valor e na dignidade fundamental de todos e todas.

No quarto Domingo Maria, mãe de Jesus, se colocara a caminho. Vai encontrar a prima gravida e proclamará que o Senhor “Depôs poderosos de seus tronos, e a humildes exaltou” (Lc 1,32)

E aí, no dia 25, o Evangelho afirma que pastores, profissão necessária, mas tratada com discriminação, mais ou menos como os nossos garis (lixeiros) de hoje, encontram um recém-nascido envolto em faixas, deitado num cocho de animal, que antes de ser aclamado como Deus, falará do Reino de Deus, se aproximará dos pobres, e morrerá na Cruz por fidelidade a um Deus que é AMOR e que, portanto, não se impõe pela força.

Muita gente que participa das igrejas hoje na América Latina não sabe o que é CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), outros afirmam que elas não existem mais, e outros ainda tentam terminar o serviço de mata-las. Contudo, existem pessoas que, teimosamente, acreditam que esta experiência cristã no interior das igrejas pode ser sinal.

Então, se quisermos, de fato, manter viva a vontade de ser sinal, a pergunta do povo a João Batista permanece atual: “O que devemos fazer”. E a resposta de Maria ao mistério da presença de Deus em sua vida deve ser a nossa também, isto é, se colocar a caminho. E como o Mestre Jesus, anunciar a Boa Nova do Reino.

Entretanto, tudo indica que será preciso olhar o horizonte e ter a paciência de perceber que precisaremos refazer a ALIANÇA que se explicita na vida de João, Maria e, evidentemente, Naquele que se tornou o Messias dos Pobres: JESUS DE NAZARÉ.

Sim, vivemos tempos difíceis. A desesperança pode bater a nossa porta. Mas quando o menino da manjedoura nasceu, eram tempos de muita dificuldade também. Ele cresceu e se tornou adulto em meio a elas. O Batista “clamava no deserto” e perdeu a cabeça, literalmente. Maria viu seu filho fazer uma opção meio esquisita. O menino acabou na cruz. Mais tarde o cristianismo precisou se esconder nos cemitérios (catacumbas). Contudo, sempre mais a DIGNIDADE FUNDAMENTAL da vida humana cresceu em reconhecimento.

As CEBs devem reencontrar sua contribuição na igreja e no mundo. Será exigido desapego, paciência, capacidade de vislumbrar o novo, de sonhar um novo mundo possível, para que, como as comunidades que receberam os escritos condensados no livro do Apocalipse, possam afirmar de novo: “Sim! As coisas antigas se foram!” e “Eis que eu faço novas todas as coisas” (Ap 21,4-5).

 

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