Painel do 32º Curso de Verão, por Guto Godoy Retrata Crise migratória.

“É uma imagem que nos machuca, mas que não pode nos deixar só no luto. Precisamos que situações como estas nos deem força pra lutar e para que elas não se repitam”.

“Por uma cidade acolhedora: somos todos migrantes”.

 Aylan Kurdi, menino sírio de 3 anos encontrado morto em praia da Turquia, em 2015, e que se tornou símbolo da crise migratória mundial, é o elemento central do Painel do Curso de Verão 2019, assinado pelo artista popular brasileiro Guto Godoy.
O autor, que atualmente cursa arte em Roma, na Itália, afirma que procurou fazer uma síntese dos processos migratórios da atualidade, mas sem esquecer os anteriores.
Ressignificar uma imagem tão triste foi o objetivo de Guto: “É uma imagem que nos machuca, mas que não pode nos deixar só no luto. Precisamos que situações como estas nos deem força pra lutar e para que elas não se repitam”.
Com esse foco, o artista colocou o menino dentro de uma semente, de onde surge uma margarida. Para ele é a representatividade de um sonho, um mundo que seja de fato sem fronteira. “Um mundo onde todos tenham o direito de ir e vir, um mundo mais humano em que a gente seja, de fato, aberto para acolher o outro em suas necessidades e pluralidade”.
Outro elemento visível na arte é a terra, que quanto mais próxima à semente, mais clara fica. Para o criador, esse efeito reforça que a presença dos refugiados e dos migrantes é uma presença luminosa. “É uma presença que nos ajuda também a construir um jeito de ser. Quanto mais a gente se abre pra solidariedade e pra acolhida, mais luminoso a gente fica”, acredita.
Ao olhar para o painel de modo mais amplo, é possível identificar traços, próximos às flores, que resultam em seis personagens que, segundo o artista, visam representar um pouco das migrações históricas do Brasil, de ontem e de hoje. Estão sendo representados: os escravos por meio da escrava Anastácia, os migrantes europeus com a figura do italiano, os asiáticos e japoneses, os bolivianos, os africanos e haitianos e as mulheres sírias.
Tons azuis preenchem o fundo da obra. Basicamente uma mescla entre claro e escuro que o artista assimila ao horizonte, lembrando que nos dias atuais, as migrações ocorrem em sua maioria, principalmente na Europa, por meio de navios e os barcos. “Procurei me inspirar no momento em que ao olhar pro mar você não distingue o que é céu e terra, no caso, o que é céu e mar”, explica. Parafraseando o artista, o horizonte dá sentido que não existe separação de quem é de lá, e de quem é de cá. Entre quem migra e quem é do país pra onde essa pessoa migrou.
O último elemento a ser mencionado, mas não menos importante, é o mapa mundi, que está em vermelho para lembrar o sangue derramado de tantas vidas que já foram exterminadas. Do mapa saem setas que indicam os principais fluxos migratórios do mundo.
Ira Romão / Comunicação / CV2019

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